Quando acordei e soube da notícia confesso que me deu uma dor no coração. Adoro cruzeiros (também só fiz 2! Mas se tivesse possibilidade seria uma cruzeiraholic...), mas os que fiz adorei mesmo, principalmente o primeiro. O segundo foi num navio da Costa, e sinceramente a minha opinião sobre os italianos em relação aos turistas manteve-se... são refilões, desinteressados e egocêntricos (opinião meramente pessoal, atenção!).
As primeiras notícias que se ouviu foram que as pessoas estavam escandalizadas porque o comandante estava a jantar na hora do embate... Quem fez um cruzeiro sabe que existe pelo menos um dia em que intitulam ser a "noite do comandante". Costuma ser nos primeiros dias. As pessoas vestem-se com rigor para serem recebidas pelo comandante e outros oficiais com cargos importantes. É lógico que o barco não fica à deriva nesse dia, existem oficiais com a devida competência para os substituirem (digo eu...). Segue-se um jantar formal com pompa e circunstância. Deduzi que fosse esse o dia por ter ouvido falar que as pessoas estavam trajadas com rigor. Também é certo que as pessoas não são obrigadas a participar nesse teatro, só vai quem quer, quem não quer vai ao restaurante principal com a roupa que quiser vestir e bem entender. Existem outros restaurantes temáticos e uns bem mais carotes. Esses mais caros também exigem algum cuidado na maneira de se vestir. Ora, parece-me que o comandante andava algures por aí... Até aí por mim tudo normal (e não a escandaleira que andavam a fazer em volta disso).
O barco bateu numa rocha. Grandessíssima asneira... Para mim, o "maledetto" aí foi completamente negligente por ter dado, não pela primeira, nem pela segunda vez, mas pela terceira ou quarta vez ordem para se desviar da rota e se aproximar tanto de uma costa tão rochosa. Se estava a jantar, (com quem quer que fosse, seja loira ou morena, alta ou baixa, gorda ou magra) o provável é que tenha ido a correr de forma meia trambulheada até a ponte.
As pessoas assustaram-se e se fosse eu, a primeira coisa que faria seria ligar logo para a minha mãe, e por sua vez a minha mãe daria o alerta. Foi o que alguns passageiros fizeram.
Nos entretantos, a tripulação devia andar meia à nora para pereceberem o que teria realmente acontecido... até quando vou num avião e aquilo treme, a primeira coisa que faço é olhar para a tripulação e eles... vice-versa, garanto. Acontece que as entidades em terra começaram a receber informações de fora que alguma coisa se estaria a passar no barco e queriam ser informados. Da ponte (que imagino que andassem no dia mais atarefado das suas vidas) preferiram resolver o que quer que tivesse acontecido do que andar a falar ao telefone... em jeito de remediar, ou salvar a situação, ou perceber o que se passava. Não acredito que estivessem a beber champagne porque finalmente a maldita garrafa da inauguração se partiu, tanto que até furou o casco. Não creio.
Dá-me para visualizar as situações nestas coisas, num barco enorme onde normalmente só se começa a conhecer melhor no último dia do cruzeiro. E imaginei as pessoas aflitas, a irem para as suas cabines buscar os seus salva-vidas, outros nem se lembraram disso, lembraram-se de ir ao núcleo infantil buscar os seus filhos, ou procurarem os seus familiares no casino, no bar, no restaurante, no teatro, na discoteca, outros de cadeiras de roda a tentar da melhor maneira possível chegar à rua através de um corredor um pouco inclinado, outros (os da tripulação) nos decks mais baixos, na casa das máquinas a lutar contra o tempo quando tudo começa a falhar, e no meio disto tudo ainda falta a luz... e os outros queriam que estivessem a falar com eles ao telefone.
Acredito que tenha sido uma grande mas muito grande confusão.
Vi imagens daquilo completamente às escuras (e vocês certamente também viram), só se via a iluminação intermitente das escadas de emergência, de algumas lanternas (julgo) e a luz de um helicópetro que entretanto chegou.
Heróis: a tripulação, alguns passageiros que ajudaram na evacuação, a população da ilha e equipas de salvamento.
Corajosos: os últimos a sair, não sei quem foram, mas certamente foram os que deram prioridade no meio do terror.
Cínicos: os jornalistas que não páram de dar palpites sobre o que aconteceu sem se darem ao trabalho de investigar qualquer tipo de veracidade na informação.
Covardes: os que fugiram quando tinham a responsabilidade de permanecer. E aqui, ainda não percebi qual o real papel que o comandante teve nessa noite, uma vez que não acredito muito no jornalismo sensacionalista... Continuo a dizer que se deve conhecer sempre as duas versões de uma história. E sem querer defendê-lo uma coisa é certa, fez-me impressão ver imagens dele com os olhos a piscar como quem está sob algum efeito de stress... é que é muita responsabilidade...
Culpado: o comandante... sem dúvida alguma.

1 comentários:
Sem dúvida que foi ele o culpado...ainda por cima abandonou o barco...quando todos sabemos (pelos vistos menos ele) que o comandante é o última pessoa a abandonar o navio!
Esta imagem ilustra bem o que ele fez:
https://fbcdn-sphotos-a.akamaihd.net/hphotos-ak-ash4/398699_2943228936445_1132878009_33110790_195970122_n.jpg
Enfim...
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